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domingo, abril 11, 2004

teste

quinta-feira, outubro 16, 2003

CORREIO DOS LEITORES IV

Do amável e atento Modernizador:

Acerca do sinal de "STOP" que estacionou sobre o céu de Évora há cerca de
27anos, e que ainda ninguém conseguiu desmantelar, já toda a gente falou. Também não é novidade nenhuma que, há dois anos, esse sinal mudou de cor. Bem, todos nós recebemos lições de moral de vez em quando, mas temos uma certa retracção quando essas lições vêm de pessoas do tipo "faz o que eu digo, não
faças o que eu faço", pois pensamos logo "olha para este, está aqui com estas
m****s e depois vê-se o que ele faz". Pois bem: chega de moral e vamos directos
ao assunto. Existe na net um site que é o "Novo Pasquim de Évora" e o endereço é
http://pasquimdevora.cjb.net, onde são feitas críticas ao anterior executivo (e muito bem, porque a minha posição já foi assumida quando digo que Abilio e Cª Lda, nunca mais), quando ele ainda se mantinha funções. Mas vai uma lição de moral para quem os escreveu ou não? Isto fica ao critério dos leitores... Vão lá ler o site e divirtam-se......."



terça-feira, outubro 14, 2003

CORREIO DOS LEITORES III

De Manoelinho:

"VÁRIAS CITAÇÕES E COMENTÁRIOS
(a propósito duma recente entrevista do Sr. Presidente da CME)

1. REDUÇÃO DOS PREÇOS DA HABITAÇÃO EM ÉVORA

“... vamos disponibilizar mais terrenos para construção. (...)
contribuindo para que a habitação em Évora deixe de ser das
mais caras do País.”
Presidente da CME, ao DN, em Janeiro de 2002

“A escassez de terrenos (...) deve-se ao facto de durante
muitos anos não terem sido criados instrumentos urbanísticos,
nomeadamente ao nível da revisão do PDM e do Plano de
Urbanização, que permitissem essa disponibilidade de terrenos
urbanos. Caso essa disponibilidade se tivesse verificado
poderíamos ter, e de acordo com a sociedade aberta e o mercado
em que vivemos, um aumento da oferta que levaria
consequentemente à prática de preços mais razoáveis”
Presidente da CME, ao Diário do Sul, em 19 de Dezembro de 2002

“Ao revermos o PDM e, posteriormente o Plano de Urbanização vai
fazer com que haja mais oferta. ...e naturalmente que as casas
vão baixar de preço, porque a oferta vai ser maior”
Presidente da CME, ao Diário do Sul, em 8 de Outubro de 2003


1.1 Se o valor da construção dependesse apenas duma simples
relação entre a oferta e a procura, mesmo sem Planos,
estaríamos neste momento a assistir a uma enorme diminuição dos
preços da habitação, pois há, incontestavelmente, excesso de
oferta de fogos em Évora e, simultaneamente, diminuição da
procura, em resultado da crise económica e consequente perda do
poder de compra dos cidadãos.

1.2 PORQUE NÃO BAIXAM, ENTÃO, OS PREÇOS DA HABITAÇÃO?

1.3 A isto o Sr. Presidente não responde e, por isso, adia
remetendo para as calendas da revisão dos PLANOS.

1.4 O Sr. Presidente sabe que a simples inclusão em PLANO
de uma área de expansão habitacional não implica, por este
simples facto, um aumento de oferta, pois é necessário que
ALGUÉM o urbanize de facto, construindo os equipamentos e as
infra-estruturas necessárias, colocando então os lotes no
mercado.

1.5 O Sr. Presidente sabe que no actual PLANO DA CIDADE há
a admissibilidade de construção de cerca de 9000 fogos (note-se
que em Évora a média de construção é de cerca de 300
fogos/ano).

1.6 ENTÃO PORQUE NÃO APARECE NINGUÉM A URBANIZÁ-LOS, DE
FACTO?

1.7 O Sr. Presidente sabe isto e, por isso, na sua
entrevista recente ao Diário do Sul, falou, pela primeira vez
publicamente, na POSSIBLIDADE de se constituírem UNIDADES DE
EXECUÇÃO PRIORITÁRIA (Interpreto a frase como um misto de AVISO
e AMEAÇA aos proprietários dos terrenos e aos promotores
imobiliários, depois destes terem ignorados os seus vários
apelos para tivessem “uma postura mais construtiva”).

1.8 O que o Sr. Presidente não tem coragem de dizer é que
uma das primeiras medidas tomadas pelo seu executivo foi a de
ANULAR uma UNIDADE DE EXECUÇÃO, já lançada para a Zona dos
Leões, que permitiria que HOJE existissem EFECTIVAMENTE NO
MERCADO lotes com capacidade para construção de cerca de 1000
novos fogos.

1.9 Esta unidade de execução permitiria que o preço dos
lotes, e da habitação, baixassem efectivamente em Évora. E a
decisão que tomou é tanto mais grave quando sabe que estão a
ser investidos dinheiros públicos naquela área, que ultrapassam
os dois milhões de contos, sem qualquer garantia de serem
rentabilizados.

1.10 PODER-SE-Á, ASSIM, DIZER QUE O PRINCIPAL RESPONSÁVEL
PELO ACTUAL ELEVADO CUSTO DA HABITAÇÃO EM ÉVORA É DO SR.
PRESIDENTE E DA MAIORIA DO ACTUAL EXECUTIVO?!...

1.11 Mas admitamos, em tese, que a solução está nos PLANOS.
Vejamos o que se sabe publicamente:

2 OS PLANOS:
“ reconhecendo ser um objectivo ambicioso, (...) o executivo
não abdicará dele – conseguir que o novo PDM produza efeitos,
que esteja eficaz e em vigor no início de 2003.”
Acta CME n.º 11/2002 - 8 de Maio de 2002

“ o prazo para a conclusão da revisão do PDM e PU das Povoações
Rurais é até final de 2002.”
Acta CME n.º 13/2002 – 12 de Junho de 2002

“o prazo de elaboração do Plano de Pormenor dos Leões será de
seis meses após esta deliberação da Câmara Municipal”
Acta CME n.º 15/2002 – 26 de Junho de 2002

“dentro de 60 dias todo o concelho vai discutir a proposta do
PDM”
Entrevista do Presidente da CME, ao Diário do Sul em 8 de
Outubro de 2003

“o prazo para entrega das propostas com vista à selecção da
Equipa que irá elaborar o Plano de Pormenor dos Leões foi
adiado para 2 de Novembro de 2003”
Aviso publicado em Diário da República de Outubro de 2003


2.1 REPARE-SE NAS DATAS PROMETIDAS, SUCESSIVAMENTE ADIADAS
E SEM FIM À VISTA.

2.2 Se depender dos PLANOS o cumprimento da promessa de
redução do preço da habitação em Évora, bem podemos esperar...
sentados.

2.3 Talvez por saber que não tem CAPACIDADE, NEM
COMPETÊNCIA, NEM CORAGEM para cumprir esta promessa, o Sr.
Presidente teve o cuidado de nos AVISAR, na sua recente
entrevista, “que o seu compromisso com a FAMÍLIA foi de 8 anos”.

2.4 Ou seja até ao final do ACTUAL mandato não vamos ter
NADA QUE SE VEJA, EM MATÉRIA DE REDUÇÃO DO PREÇO DA HABITAÇÃO.

2.5 Sobre esta matéria o executivo municipal é um “barco” à
deriva, no meio de um “oceano” de dificuldades, sem bússola,
sem remos, e sem vela, ziguezagueando ao sabor de ventos e
marés, ansiando por qualquer golpe de mágica ou de sorte que o
leve a bom porto, e pior que tudo... SEM TIMONEIRO.

PS. Quero dizer que também não sei que é o "Manoelinho" que
anda à procura de profissionais competentes para o nosso
município, nem o "Manoelinho" que diz que não foi ele.
Provavelmente teremos de formar a "Associação dos Manoelinhos
de Évora" para saber quem somos!...
... BEM HAJAM, MANOELINHOS!"



CORREIO DOS LEITORES II

De Manoelinho:

"Seleccionei um conjunto de espectáculos do Festival percursos, dirigi-me à bilheteira do Teatro Garcia de Resende e comprei os bilhetes, gastei 74 €. Não
vou ver os espectáculos todos.
Lembro-me que dantes vi umas “porcarias” de teatro de rua à borla como o Xarxa
Theatre, Els Visitants, a Grosse Couture e outros que não me lembro o nome.
Tinhamos que aturar na rua os ciganos que tocaram nos filmes do Kusturica,
também nos impingiam à borla músicas de elites, um tal Taj Mahal, o António
Pinho Vargas, o Xico César, o Carlinhos Brown, o George Moustaki, a velha
Cesária. Já para não falar da chatisse que era ir à Praça do Giraldo e ter que
ouvir argelinos, uma tal Cheica Rimiti, marroquinos, cubanos, egípcios e outra
gente de mau porte. Nesse tempo não havia fuga possível: íamos ao mercado e lá
estava uma banda de Dixieland a tocar, íamos ao chão das covas tínhamos que
aturar as danças dos grupos dos Pés-de-xumbo, fugíamos para os bairros e lá
andavam os Tanxarina, nem as freguesias escapavam, corríamos sempre o risco de
tropeçar nos macacos das Ruas de Évora, ou no Teatro ao Largo.
Agora é que estamos no bom caminho: queres cultura? Paga-a! Assim, sim, vemos
coisas de qualidade, como por exemplo aquele espectáculo das barbies, o
“duelo”. Dois Belgas e duas portuguesas - que falavam francês, isso do
português é para gente vulgar – fizeram um espectáculo bonito, não entraram em
críticas, trataram bem as bonequinhas americanas, até a mim me apeteceu sair
dali e ir brincar com uma barbie. Também achei muita piada aqueles Turaks dos
baldes vermelhos que andavam com uns velhotes pendurados, foi premonitório, os
baldes eram para aparar a chuva que caiu no sábado, só acho que os baldes
deviam ser cor de rosa. Chocante foi o espectáculo do domingo à noite no
teatro, fez lembrar os velhos tempos, eu acho que já tinha visto o teatro
meridional cá, no tempo dos comunas, programado pelo CRAE. Imaginem um árabe,
um sarraceno a dizer mal do D. Afonso Henriques e dos cristãos. Uma freirinha
que levou os idosos do recolhimento Barahona estava de cabelos em pé.
Até que em fim que vivemos numa cidade de excelência, que, segundo o senhor
presidente disse no diário do sul, é uma cidade com qualidade de vida. Este ano
pelo menos já são 5 os acontecimentos de excelência: O Festival de Verão com os
excelentes Delfins à borla e o Rodrigo Leão a pagar, no jardim público, o Évora
Moda com a Lili Caneças e o Carlos Castro (e o nosso Presidente) pagava-se
claro, mas era o supra-sumo da excelência, até saíu na “Caras”, o Nuno da
Câmara Pereira, excelente marialva, um homem à antiga portuguesa, daqueles já
não se fazem, 25 anos de carreira/45€ para entrar na festa, e agora os
percursos dos amigos do CCB. Esperem só até que os 25 000 contos da telenovela
façam efeito e a cidade se encha de turistas e investidores Venezuelanos,
Mexicanos, Nicaraguenses e, quem sabe ... Guineenses, S. Tomenses. Até lá…
Barbies e intelectuais de excelência “together forever”."


CORREIO DOS LEITORES I

De Vasco da Gama:

"PURA FICÇÃO
No último “post”, o Giraldo coloca a seguinte questão: “Não há para aí nenhuma polémica que nos destempere?”. Pois bem, haver até há, mas não seria melhor antes fazer-se um resumo da matéria dada? Acho que as conversas se têm dispersado e não calhava nada mal, depois de um verão “ardente”, fazerem uma análise aos assuntos que no Évorablog foram discutidos e que contribuíram para a “iluminação” desta cidade. Por falar em iluminação, constou-me que na área das famosas quintinhas houve uma “big party” com direito a fogo de artifício e tudo, será verdade? A pirotecnia não estava proibida por causa dos incêndios? O patrocinador da festa devia ser alguém bastante influente!

Há tempos surgiram no Évorablog algumas interrogações sobre a comunicação local. É notório que esta se acomodou a um servilismo ao poder instalado. Por isso é desinteressante e amorfa e os Blogs ganharam terreno, tornando-se numa eficaz ferramenta de comunicação pública, apesar do anonimato dos participantes ser um tema de debate constante e de tentativa de descredito dos mesmos. Será que a assinatura no final de uma peça de um jornal garante a veracidade dos factos? Está provado que não. Portanto...

Mas, mesmo assim, existem pessoas que não estão satisfeitas por este servilismo não ser pleno. Tudo porque o lema é: “se não estás comigo, estás contra mim”. E, deste modo, todos são catalogados politicamente. Não é pressuposto o jornalismo ser imparcial? Pelos vistos, para certas pessoas não! E logo tinha que ser o jornalista do “Público” em Évora a sair da casca e a desrespeitar o sistema implementado em prol do código deontológico!

Veja-se a última entrevista do Presidente da Câmara de Évora ao jornal diário desta cidade. Foi uma “Grande Entrevista” para penosas respostas do entrevistado. Todos os projectos em curso referidos são um legado dos outros senhores e o único novo é a aposta na promoção da cidade através de uma telenovela.

Qualquer eborense se deve sentir orgulhoso por ser rodada uma telenovela em Évora. Um produto que vai ser exportado para países Sul Americanos e da Europa de leste, que, como todos sabemos, são um mercado infalível de potenciais turistas para desenvolver o turismo na cidade. Sobretudo se forem aproveitados como mão de obra barata nas obras de construção de novos empreendimentos turísticos.

Depois, o que são 125 mil euros (25 mil contos) oferecidos pela autarquia para promover a cidade através de uma telenovela? Primeiro, a câmara delega a promoção da cidade num agente, através de um produto de pura ficção. O que até concordo, porque ficção é também o que impera nesta administração. Segundo, todos sabemos que ao preço que está a publicidade televisiva, este dinheiro só chegava para uns 10 minutos. E, deste modo, vamos ter mais de cem capítulos de uma hora cada. Portanto, centenas de horas de promoção do romance da personagem “João” com a personagem “Maria” na cidade de Évora. Para termos uma ideia mais clara, podemos adiantar que cada intervalo da telenovela da TVI vai render mais de 25 mil contos em publicidade paga. Para que precisa então uma câmara, que repetidamente se afirma tecnicamente falida, de comparticipar um projecto hiper lucrativo à partida?"



segunda-feira, outubro 06, 2003

A ver passar o tempo

Acabou o calor e anda tudo a ver passar o tempo. Não há tempo para escrever nada sério. O tempo só dá mesmo para gozar. Foi-se o calor, andamos a disfrutar do tempo mais ameno. Não há para aí nenhuma polémica que nos destempere?
Tomamos um cafezinho numa esplanada da Praça do Giraldo, servido por um empregado mal cheiroso, bafo alcoólico, pouco educado que nos leva um euro por uma bica de m****. Não há tempo para aturar esta gente. Não me sento mais nas esplanadas da Praça do Giraldo. Estou farto de se mal servido.

quinta-feira, setembro 25, 2003

DE UMA VEZ POR TODAS

Leio no Notícias Alentejo, a ideia de lançar uma discussão sobre a questão do anonimato:

“(...) o N.A. decidiu abrir espaço a artigos sobre o anonimato (e outras questões) dos blogs. O N.A., naturalmente, reserva-se ao direito de apenas publicar artigos que contribuam para a discussão do tema e de autores devidamente identificados.
A questão da legitimidade do anonimato, recorde-se, tem animado a cidade – o «evorasim», inicialmente gerido por Luís Carmelo e actualmente a cargo de Alberto Magalhães, e «evorablog», da autoria de ‘Sertório’ e ‘Giraldo’, começaram por abrir o debate às questões da cidade, mas cedo se remeteram à troca de «postas» sobre o anonimato.”


Mais à frente, afirmam que o Évorablog “ainda não respondeu a Magalhães”.

Para que conste, o Évorablog não vai responder ao Sr. Alberto Magalhães. Não podemos. Por uma questão de sanidade mental e de respeito para com os nossos princípios. Ponto final.

Sobre a questão do anonimato, também não queremos adiantar mais nada. Já falámos sobre o assunto em diversas ocasiões. O Noticias Alentejo, se quiser encetar uma rigorosa recolha de ‘posts’ sobre a nossa posição, poderá pesquisar junto dos nossos arquivos (aliás, terá mesmo de recuar umas semanas). Aí encontrará as razões que nos levaram a fazer uso dos pseudónimos/heterónimos, e a explicação porque consideramos esta discussão, uma discussão estéril, inconsequente e, até, desnecessária.
Relembramos um ponto: os Webblogs, ou blogues, não são equiparáveis com os tradicionais meios de comunicação social. A sua lógica, estilo e estatuto é bem mais informal, livre e espontâneo. Há liberdade na blogosfera para usar o anonimato. Sem que, para isso, se levantem motivos para longas dissertações sobre o assunto ou críticas inflamadas relativamente ao seu uso. Lembramos, também, que, na sua maioria, os blogues são geridos por anónimos, que utilizam um pseudónimo ou simplesmente o seu nome próprio. Parece-nos secundário discutir este assunto, até porque existia vida na blogosfera antes da existência do Évora Sim ou do Évorablog. Nunca, no passado, se partiu para este tipo de discussões. Pura e simplesmente porque sempre se teve a noção clara de que a blosgosfera não é para ser regida pelos mesmos critérios ou pelos mesmos espartilhos, mais ou menos tácitos ou institucionais.
O Évorablog é gerido pelo Sertório e pelo Giraldo. Como devem calcular, existem pessoas de carne e osso por detrás desses nomes, que batem e rebatem no teclado para que estes caracteres, que agora estão a ler, surjam no écran do PC que ao blogue acedeu. O Sertório e o Giraldo são pessoas – que optaram pelo anonimato, em nome da liberdade de expressão e do distanciamento face ao mesquinho mundo da polítiquice eborense. Quem quiser respeitar essa opção (concordando ou não com ela), continuará, de vez em quando, a passar por aqui, expressando ou não a sua opinião sobre a cidade – ao fim ao cabo a razão porque estamos aqui. Quem não quiser respeitar a nossa posição, estará no direito de desviar o olhar e de deixar de nos passar cartão. A decisão é de cada um, e o Évorablog não se imiscuirá na esfera privada de cada pessoa.
Pela nossa parte, contem connosco para falar sobre a cidade. Para o resto, não.

PS: numa altura em que estamos a atingir uma média de 100 "page views" por dia, gostaríamos de agradecer a atenção dispensada pelos nossos leitores e a participação preciosa dos que decidiram escrever-nos, dando a conhecer a sua opinião.



CÁ VAMOS NÓS, OUTRA VEZ...

Do leitor Viridiana:

”Gostaria de me juntar á discussão que inicialmente se desenrolou no Evorablog sobre os blogs com pseudónimo e que agora foi relançada sob proposta do Noticias Alentejo. Julgo que esta é uma discussão quase estéril porque o que, num meio tão vasto como a Internet, o que interessa é o que se escreve e não, necessariamente, quem escreve. Há excepções, é claro. O Abrupto de Pacheco Pereira ou o Aviz de Francisco José Viegas (são apenas dois exemplos) valem mais por quem escreve do que pelo que ali é escrito. É um valor acrescido para duas pessoas que são figuras públicas e que milhares e milhares de cibernautas reconhecem enquanto tal. Mas, em geral, quase ninguém conhece ninguém - se assim não fosse a Net e os blogues eram apenas pequenos e reduzidos grupos de amigos que escreviam para o umbigo e uns para os outros. Parece-me que, em geral, e quando se tratam de foruns que pretendem relançar o debate público em cidades de média dimensão como Évora, é irrelevante o nome que aparece debaixo dos post. Interessa sim o que é dito e na polémica precedente entre o Evora Sim e a generalidade dos blogs eborenses pouca importância teve o nome de LC ou, actualmente, de AM subscreverem este ou aquele texto. O que estava e está em causa é o olhar acritico que, quer um quer outro, dirigem à actuação da Câmara de Évora. Sem um pestajenar de olhos, sem a mais leve ponta de crítica ou discordância, afirmando pseudoevidências sem qualquer contraponto de dúvida ou de desvio. Foi esse olhar que vi criticado em muitos post, que utilizaram a mesma linguagem de carroceiro que os autores desses escritos têm vindo a utilizar há muito como se todos nós, a generalidade da população, fossemos de uma classe inferior, sem possibilidade de discussão nem de entrarmos nos meandros daquilo que qualquer um deles considera e considerou como verdades inquestionáveis. Quase diktats de antanho. Mesmo que por debaixo desses posts viesse outro nome qualquer penso que a repulsa de quem se preocupa com os temas eborenses não deixaria de ser a mesma. Aliás, por exemplo no meu caso, é nulo o conhecimento pessoal que tenho de um ou de outro (nem sei se LC e AM são pseudónimos ), tal como não conheço, nem sei se existe, uma pessoa com o nome de Manuel Azinhal (do excelente Sexo dos Anjos), nem o Alexis Silva (existirá?) do Évora dos Pequeninos, nem sei se o Chaparro é nome próprio ou apelido, se o Giraldo ou o Sertório são uma ou duas pessoas ou se há mesmo um Macgufin (Contra a Corrente). Nem sei mesmo se existe no Noticias Alentejo alguém chamado Carlos Trigo. Interessa-me é o que está escrito, em qualquer destes casos, e não quem escreve, já que a autoria na Net é quase impossível de descortinar. Daí que julgue ser importante manter-se o debate, a reflexão e a intervenção, através de textos polémicos, mas que não sejam apenas o propagandear de ideias feitas e de comunicados autárquicos, mais do que a sanha semi pidesca de se saber quem escreve o quê.
É que mesmo por parte dos apoiantes da antiga autarquia duvido que alguém viesse defender em bloco e acriticamente tudo o que foi feito então. Houve coisas, por certo, que foram mal feitas, coisas que ficaram por fazer, eu sei lá... O próprio dr. Abilio (será nome ou pseudónimo?) certamente não faria a defesa da sua Cãmara da forma como LC e AM (serão nomes ou pseudónimos?) entraram na NET saindo em defesa acritica da Câmara PS onde nem eleitos são. Foi isso que tem provocado debate e não o facto de serem A ou B. E pela parte que me toca, que até considero que a actual Câmara de Évora tem tido coisas positivas, posts como os de LC ou AM só me têm feito reconsiderar e fazer-me pensar que, se são estes os porta-vozes da actual maioria, então algo vai mal, muito mal, lá pelos Paços do Conselho. Não é assim, de facto, que se vai lá.
Última nota: nos posts que tenho enviado a diversos blogs do Alentejo nos últimos dias tenho, eu também, utilizado a mesma linguagem de carroceiros que critiquei a LC e a AM. Fi-lo, não por uma questão estética, mas por um imperativo de higiene e para lhes mostrar que é possível descer tão baixo quanto foram eles capazes de descer (aquela dos burros e os ataques ao Pró-Évora não lembram aos céus). Mas agora que a espuma dos dias parece estar a amainar prometo voltar a outro registo e a ser mais delicado, fazendo coincidir estética com ética. E com bom gosto.”



O TRÂNSITO, O ROSSIO E AS MURALHAS

Do Modernizador, uma opinião:

“Essa história de devolver o centro histórico às pessoas tirando os
carros pouco a pouco está bem longe de ser conseguido. Para além das obras que estão a ser efectuadas entre a rotunda da BP e a Rotunda da saída da Rua Mendes Estevens (que mais parecemos uma cidade dos antepassados em que não era dado o devido valor ao património), iniciou-se agora uma guerra ao Templo de Diana, e se não é através da combinação venenosa dos gases dos automóveis com a chuva que provoca um autêntico ácido corrosivo às pedras do templo e de qualquer monumento, iniciou-se agora uma nova táctica de guerra através de vibração sonora. Se eu sou a favor de desfiles de moda, sou, pois não deixa de ser um meio de promoção da cidade e do comércio local que se dedica ao mundo da moda. Agora deixem o TEMPLO em paz! Ele merece e está lá há mais anos do que nós. Lembram-se do "respeitinho aos mais velhos"?.
Acerca ainda do edifício que está a ser reconstruído entre as duas referidas rotundas, para que as pessoas vejam a sorte que Évora teve para ainda ter as suas muralhas em todo o seu redor (bolas, estou mesmo revoltado com a dita obra), deixo aqui um excerto de um artigo que li, mas para quem quiser ler na totalidade vão a www.google.com e façam pesquisa escrevendo assim "derrube+muralha+S.Brás+Évora". Aqui vai o excerto:

".....começou por recordar a ocupação do Rossio de S. Brás, desde a sua criação, pelas mais diversas funções - agricultura, pastorícia, vazadouro público, mercados e feiras - e a sua relação com a expansão da urbe, pois na sua origem está a absorção do primeiro rossio eborense, a Praça do Giraldo, pelo crescimento da cidade, no século XIV. No entanto, esta área permaneceu periférica até ao século XIX, momento em que passou a reunir as condições adequadas à prática de um novo modelo urbano - localizado na periferia Sul da cidade, o Rossio de Évora era um terreno relativamente aplanado e quase sem pré-existências arquitectónicas, destacando-se apenas o corpo da Ermida de S. Brás (edificada em finais do século XV, por vontade expressa de D. João II). Com a inauguração do caminho de ferro em 1863, o Rossio passava a ligar a cidade à estação ferroviária, muito frequentada por servir o meio mais rápido de viajar para Évora. A partir deste momento, tornando-se lógico que a cidade cresceria na direcção da sua mais importante via de acesso, os sectores progressistas eborenses pugnaram por uma urbanização controlada do Rossio de S. Brás, pautada
por rigorosos valores funcionais, estéticos e económicos. A Porta do Rossio foi mesmo chamada de "Porta do Progresso"!
Por outras palavras, a fisionomia do Rossio de S. Brás permitiria criar facilmente e sem custos financeiros excessivos, um espaço urbano moderno: salubre (com redes de esgotos, água canalizada e espaços verdes), de fácil circulação (por meio de artérias geometricamente traçadas) e configurando uma estética contemporânea. Em 1866, elabora-se o primeiro plano de urbanização do Rossio. Em 1904, o Notícias d'Évora dava conta da ideia de um bairro operário, que implicaria o
derrube da muralha. Em 1909, o vereador Carlos Monteiro Serra propôs a
edificação de um bairro aristocrático, "com gosto moderno". O projecto foi aprovado pela Câmara Municipal e pelo Ministério do Reino, mas não foi executado. Em 1910, o construtor Januário Martins elabora um contra-projecto, com um redistribuição espacial da proposta anterior. Em 1920, novo plano é apresentado, desta vez com zonas de habitação, zonas de actividade industrial e espaço para a realização de feiras.
O conferencista terminou considerando que, apesar destes projectos não terem sido concretizados, os critérios que os formularam condicionaram as expectativas que, daí para diante, os eborenses tiveram daquela zona da cidade....."

Leram bem: "o derrube da muralha". Já viram o alivio só de saber que ela ainda lá está? Agora vamos reflectir um bocado e vamos ver se esta obra que está a decorrer entre as rotundas, em que se está a reconstruir um edifício que está colado à muralha do lado de fora, se é ideia moderna ou se ideia do século passado mandada fazer por pessoas atrasadinhas que quase em 2004 pensam igual às de
1904. Tendo as de 1904 desculpa, porque os tempos eram outros, 100
anos depois só lamento que existam pessoas assim! Que vergonha C.M.E.! Estão a trabalhar igualmente aos de 1904.... Com um centro histórico em que existem edificios a cair aos bocados vai-se fazer esta obra a tapar a muralha(risos)+(risos)+(risos).
Respeito pelo património ao ponto de se cortar o trânsito em algumas artérias dentro das muralhas? Neste caso não há.”



PERGUNTA

De Viridiana: "Desculpem-me a pergunta: porque tiraram o Evorasim da vossa lista de links?"

Por uma questão sanitária.


quarta-feira, setembro 24, 2003

SOBRE A INTERVENÇÃO NA PRAÇA DO SERTÓRIO

O leitor Manuelinho, enviou-nos a seguinte missiva:

“Acabo de ler um “post” do Sr. Alberto Magalhães no ÉVORASIM, com o titulo: "O Grupo Pró-Évora junta-se à onda boateira", e não posso deixar de me indignar.
Desde logo pela falta de respeito com uma instituição da Cidade, o Grupo Pró-Évora, ao qual devemos, em grande medida, o facto de termos herdado um Centro Histórico preservado e onde não se cometeram os “crimes” urbanísticos que aconteceram em tantas outras cidades portuguesas, sobretudo a partir dos anos
50/60, do século anterior.
Por outro lado a transcrição do Comunicado da CME, aceitando-o como se tratasse de uma verdade divina, revela uma atitude acrítica e subserviente, que não me parece próprio de pessoas com o seu nível intelectual. Bastaria que procurasse informar-se junto de quem assistiu à desmontagem daquele troço do
Aqueduto.
Quem assistiu sabe que para se estudar e registar uma estrutura arqueológica, as peças não se desmontam directamente com uma buldozer nem se amontoam umas sobre as outras, como se de lixo se tratasse, sem qualquer catalogação que garantisse a sua recolocação nos devidos lugares.
Sabe a CME (ou pelo menos alguns membros), que foram dadas, por membro do executivo, ordens expressas para a demolição e remoção daquela estrutura, de modo a facilitar o desenvolvimento dos trabalhos em curso.
Sabe a CME (ou pelo menos alguns membros), que esta remoção só não se consumou, devido à intervenção atempada do IPPAR, que ameaçou com o EMBARGO das obras, se a conduta não fosse reposta.
Sabendo de tudo isto a CME (ou pelo menos alguns membros), pelo que o ponto 1 do comunicado, se pode considerar uma meia verdade ou meia mentira. Cada qual que julgue e tire as devidas conclusões.
Fico, no entanto, preocupado com a posição do Sr. Alberto Magalhães. Será que não lhe contaram a verdade, ou nem sequer a procurou junto de pelo menos alguns membros da CME?
Se não lhe contaram digo-lhe que anda a fazer o papel do “corno”, que é sempre o último a saber.
Se lhe contaram, então é você que MENTE, pois garanto-lhe que não são boatos. E também lhe digo que é possível enganar muita gente durante algum tempo, mas não é possível enganar muita gente durante muito tempo.
É QUE ISTO QUE AQUI RELATO FOI VISTO POR MUITA GENTE.”



terça-feira, setembro 23, 2003

UMA QUESTÃO DE PRINCÍPIO
Ainda sobre os espectáculos junto do Templo Romano.

Por uma questão de princípio, arrepia-nos verificar que o Templo Romano serviu, já este ano, de acolhimento a dois espectáculos de moda e a um espectáculo musical do Nuno da Câmara Pereira. Chamem-lhe preconceito, elitismo, visão retrógada, perspectiva hermética da cultura, etc. O facto de a CME ter permitido à Modalfa (e nada temos contra o Dr. Belmiro de Azevedo) a organização de um desfile para promoção dos seus trapos, colocando um palco «em cima» do Templo Romano, vai contra os nossos princípios estéticos. Quais são os critérios? O que impedirá a CME de licenciar espectáculos dos Anjos, da Operação Triunfo, ou do Toy? Onde está, neste contexto, a apregoada «excelência»?

De pouco nos serve saber que este executivo, ao contrário do anterior, teve, até à data, o cuidado de avisar atempadamente o Dr. Caetano da data dos eventos, para que ele ponha a salvo de vibrações algumas obras do museu de Évora. E que tenha salvaguardado um nível de segurança relativo à emissão de decibeis. A questão para nós coloca-se a montante: o Largo Conde Vila Flor e Templo de Diana não deveriam estar sujeitos a este tipo de manifestações «artísticas». Ponto final. Por uma questão de respeito pelo património. Por uma questão de bom senso. E, já agora, por uma questão de bom gosto.


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MOBILIDADE@EVORA.PT

”Damos prioridade às pessoas”. Foi este o slogan encontrado para a terceira edição do Dia Europeu Sem Carros, uma iniciativa acolhida, desde a primeira hora, pela CME. Logo à partida, apetece perguntar: os carros não são também conduzidos por pessoas? Adiante.

Ao fim de três anos, que conclusões podemos retirar do Dia Europeu Sem Carros? Pelo menos duas: 1.ª) O incomodo e os transtornos causados aos munícipes passaram a suplantar o capital de sensibilização que se pretendia alcançar (ou seja, como uma boa ideia se tornou, com o tempo, insípida e tormentosa); 2.ª) O SITE contínua na mesma, entregue à sua sorte, como se nada disto lhe dissesse respeito.

Resumindo e concluindo: em Évora, o Dia Europeu Sem Carros surge numa altura em que o trânsito contínua caótico, o estacionamento é um tormento e a oferta de transportes públicos pouco ou nada evoluiu. Ideias para a resolução do problema do trânsito e do estacionamento em Évora? Eis a nossa contribuição, através de 10 sugestões:

1.ª) Aumentar o custo do parqueamento no centro histórico, em conjunto com a implementação de parquimetros nos parques à volta das muralhas (estes com custo menos elevado). Não esperem que, pela via da sensibilização, as pessoas passem a deixar o carro em casa. São várias as razões: as pessoas estão demasiada e egoisticamente apegadas ao seu automóvel e às respectivas voltinhas (apostamos em como 80% dos automobilistas que passam pela Praça do Giraldo não vão lá fazer nada); não vislumbram uma alternativa consistente (via transportes públicos); continuam a poder estacionar gratuitamente na generalidade dos parques exteriores às muralhas e a pagar uma ninharia no seu interior. Em suma, e permitam-nos a expressão: ou se lhes vai ao bolso (onde realmente dói), ou nada feito;

2.ª) Aumentar urgentemente a oferta de estacionamento através da construção de mais parques à superfície, incluindo a solução dos ‘silos’ (ou seja, parques em altura). A este respeito, não há que haver tabus em relação a tipo de parqueamento. Muitas cidades históricas (Veneza é um caso paradigmático) recorreram aos ‘silos’ com enorme sucesso, integrando-os de forma harmoniosa na periferia dos centros históricos (não têm que ser inestéticos «mamarrachos»);

3.ª) Obrigar a que novos empreendimentos no interior do centro histórico, ou a ele contíguos, contenham no seu projecto a construção de amplos parques subterrâneos, se possível com áreas públicas;

4.ª) Cortar definitivamente o trânsito na maioria das pequenas artérias do centro histórico. Não se justifica continuar a poder circular-se em ruas como a de Valdevinos, Burgos, Moeda, Mercadores, Diogo Cão, Misericórdia, Cano, etc. etc. etc.;

5.ª) Instituir horários para cargas e descargas, a serem cumpridos escrupulosamente;

6.ª) Ao fim-de-semana, restringir drasticamente, durante o dia, os acessos ao centro histórico, deixando somente abertas para utilização as artérias principais (ou seja, as que servem de entrada/saída nas diversas portas da cidade);

7.ª) Colocação de barreiras físicas (como as que existem no Bairro Alto, em Lisboa) à entrada da generalidade das artérias secundárias do centro histórico (referimo-nos às ruas de pouca utilização), só ultrapassáveis pelos moradores efectivos da zona (aos quais seria disponibilizado um controlo remoto a ser instalado no carro);

8.ª) Refundação do SITE. Primeiro: através do aumento drástico e significativo do número de mini-bus (se possível não poluentes), os únicos autocarros a poderem entrar no centro histórico. Segundo: interfaces eficazes entre os minibus e os restantes autocarros, de forma a criar uma forte rotatividade. Terceiro: reorganização dos trajectos e das respectivas coberturas, de forma a preencher as graves lacunas de cobertura de muitas áreas da cidade, como é o caso da Zona Industrial, do PITE e de alguns bairros limítrofes. Quarto: comunicação e difusão massiva de todo o sistema pela população.

9.ª) Insistir na criação de corredores para bicicletas, no alargamento do passeios, na protecção efectiva das passadeiras, na instalação de passagens aéreas para peões.

10.ª) Fazer o preconizado nos pontos 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7, sem, EM PRIMEIRO LUGAR, ASSEGURAR O PONTO 8, será sempre contraproducente, injusto e profundamente errado. Voltamos ao que dissemos de início: os carros são também conduzidos por pessoas. Há que saber respeitar e proteger quem anda a pé, mas também quem de carro tem de circular. Se não forem disponibilizadas alternativas claras e consistentes aos munícipes automobilistas, todas as tentativas para resolver o problema do trânsito e do estacionamento em Évora estão condenadas ao fracasso e à insatisfação.


segunda-feira, setembro 22, 2003

O QUE FAZER COM AS ROTUNDAS

O leitor Rui Espadeiro coloca uma questão pertinente:

"Antes de mais gostaria de começar por pedir desculpas de a temática que vou abordar já foi tratada num outro momento, mas só agora descobri o Evorablog.
A questão que gostaria de lançar diz respeito às enormes rotundas de Évora (Portas de Avis e do Raimundo), que, para além da relva, nada mais têm de adorno. Por qualquer localidade que passe, seja vila ou cidade, em Portugal ou em Espanha, as rotundas existentes têm sempre a compô-las lindos espelhos de àgua e/ou repuxos. A pergunta que gostaria de deixar é: Porque é que as nossas rotundas não são embelezadas de igual modo?"


Caro Rui: a pergunta que coloca remete-nos para uma constatação: existem falta de ideias lá para os lados da Praça do Sertório. Não só de agora, mas desde há muitos anos. As soluções encontradas para compôr o miolo das rotundas têm sido apenas duas: relva ou calçada. A única excepção encontra-se na nova avenida que conduz às Piscinas Municipais. Aí, pelo menos, encontramos umas quantas rochas a fazer companhia a três oliveiras - uma solução simples mas feliz. E as restantes? O que vai acontecer à nova rotunda na Av. D. Manuel Trindade Salgueiro? Esperemos para ver...

O ÉVORABLOG ESTÁ ABERTO A COMENTÁRIOS
Para além dos comentários via email (evorablog@hotmail.com), os leitores do Évorablog podem agora escrever comentários directamente no 'site', utilizando, para o efeito, o link que se encontra abaixo de cada 'post'.
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CUIDEM E RESPEITEM AS MURALHAS

Ainda do leitor Modernizador:

"Parece que resolveram tornar as muralhas num autêntico "estendal", resultado da feira de S.João (penso eu que apenas). É verdade. Para quem ainda não reparou, poderá dirigir-se à parte da muralha que fica mesmo em frente da EPRAL, que recentemente recebeu iluminação, e vão deparar-se com um enorme número de pregos e estacas pregados na muralha, que por ali ficaram esquecidos. Com um bocado de sorte para Évora, pode ser que os visitantes e historiadores pensem que foram os romanos que os lá pregaram!!! Câmara Municipal de Évora: deve haver alguma brigada de serviço que tenha competência para retirar os referidos pregos e estacas da muralha sem se ter de recorrer a um concurso público internacional ou a um estudo intensivo para se arranjar solução."

DESTAPEM AS MURALHAS

Do nosso leitor Modernizador:

"Basta! Évora ainda está muito aquém do respeito pelo património que possui e depois vêm com missivas para os eborenses respeitarem o património se a Câmara Municipal é a primeira a não arranjar soluções.... A Câmara está lá para arranjar soluções para os problemas existentes. Não para os complicar ainda mais!!!
Passo a explicar a razão desta revolta. Entre a rotunda da bomba de gasolina da BP e a rotunda da saída da rua Mendes Estevens, estava aí um edifício deixado ao abandono (já sem telhado e tudo), que cheguei a pensar que ali iria ser "destapada" a muralha que aos anos se encontra fora do alcance da vista por quem ali passa. Recentemente, quando lá passei, vi que esse edificio está a
ser reconstruído. Essa reconstrução apenas significa um adiamento de um grave problema existente nas muralhas de Évora, que é a de se encontrarem encobertas por edifícios nalgumas zonas, que nada têm de especial para realçar o património da cidade. Será que ninguém na Câmara é sensível a este problema grave? É esta a cidade excelência prometida? Para mim e para muitos que defendem o "destapar" completo da muralha em toda a sua envolvente e o seu arranjo completo devem de estar indignados com estas obras. Já que é assim encobram as muralhas todas na sua envolvente!!!! Que
vergonha autêntica, confesso, digo e repito as vezes que forem necessárias: preferia ver o referido edificio em degradação até ele cair, desde que não afectasse a muralha nem ferisse nenhuma pessoa. Agora a Câmara de Évora ali só demonstra falta de respeito e incompetência. Dar luz verde a umas obras que irão fazer com que a muralha permaneça encoberta durante mais uns anos só demonstra isso mesmo. E não falo apenas neste local há mais locais onde existe este problema nomeadamente a zona abrangida pelo hospital distrital (no qual se pede a urgência do novo hospital regional para ver se acabam com as desculpas mesquinhas), a zona entre as Portas de Aviz e as Portas da Lagoa, e todo este troço desde a rotunda da BP até à rotunda dos bombeiros e desde a rotunda da BP até á nova rotunda da rampa do Seminário. Urgência por favor, pedimos e agradecemos."



domingo, setembro 21, 2003

O ÉVORABLOG ESTÁ ABERTO A COMENTÁRIOS
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sexta-feira, setembro 19, 2003

SOBRE AS POLÉMICAS E AS TRICAS POLITIQUEIRAS

Da leitora Viridiana, recebemos o seguinte texto:

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço
"Aplaudo o vosso post ácerca da suspensão do Évora Sim. Outros pretextos devem ter pesado mais, porque essa coisa dos ataques a que LC estaria sujeito não pega. Quem não tem estaleca para aguentar as bebedeiras não deve pegar num copo sequer. Quanto mais emborcar uma garrafa de uma vez só! Mas é o nível a que Évora se habituou e tão habituada está que pensa que é vida a triste morte a que se encontra amarrada. E, nem a propósito, gostava de citar a belísima entrevista de Manuel Alegre ao público desta quarta feira... onde ele fala da situação orweliana que atravessa o país. E Évora (embora aqui os contornos da bandeira - mas haverá bandeira? - tenham outras cores) é bem o exemplo de isso mesmo. O ministério da propaganda passou intocável das mãos da gestão CDU para os cronistas avulsos que antes encheram as páginas do Diário do Sul, para tomarem posição na altura da distribuição das benesses, e que hoje se acham os únicos iluminados para discutirem e assumirem o rosto da cidade. Pobre democracia que tão frenéticos epígonos tem. Mas ainda veremos mais. Um dia destes veremos a tomada de posse da nova CCRA resultante de uma aliança, pelo menos cómica, entre o PSD e o PCP. João Transmontano vai ter como vice-presidente Fernando Travassos, ex.presidente da Câmara de Grândola, filiado no PCP desde que perdeu a autarquia (antes era apenas simpatizante...). Vai ser, por certo, uma aliança em nome dos amanhãs que cantam e que nos recorda as frases proferidas por dirigentes do PCP aquando da nomeação de José Ernesto Oliveira para a presidência da CCRA. Diziam, nessa altura, que era inconcebível o cargo ser ocupado por um candidato derrotado. Terá sido Fernando Travassos um candidato vitorioso? Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e ainda um dia veremos, já falta pouco (não aconteceu quase isso nas últimas autárquicas ?) a aliança PSD/PCP, formal ou tácita, para a conquista da Câmara de Évora.
E pelo caminho que a autarquia leva não será muito dificil. Só que depois vai ser engraçado ouvir os dirigentes do PCP falarem em nova sociedade e em combate à direita. Mas de golpes de rins e do engolir de sapos, elefantes e outros animais de estimação, por parte dos comunistas cá da praça, já estamos habituados. Só não estávamos habituados a tanto descaramento. Em nome do Alentejo, pois claro. E da luta de classes que se avizinha em cada reunião camarária. Por favor: se isto é a esquerda (quer a do PC a aliar-se ao PSD... quer a do PS a gerir autistamente a Câmara de Évora com uma coorte de assessores que só a envergonham) vou ali e já venho, que se faz tarde.

Viridiana (em homenagem aos surrealistas e a Buñuel que, apesar de tanto mergulharem no sonho, nunca prescrutaram uma realidade tão surreal como a de Évora em finais de 2003, com um assessor não eleito que responde e explica a politica autárquica em nome do vereador da cultura, que neste caso é o próprio presidente da edilidade, cujo não se sabe se existe já que é ensurdecedor o rúido do seu silêncio. Existirá? Não existirá? Fica a pergunta e um doce para quem encontrar uma resposta satisfatória)


MAS NEM TUDO SÃO MÁS NOTÍCIAS

A blogosfera eborense cresce. Aí está o Évora dos Pequeninos. Bem-vindo Alex!

PATÉTICO, DESAJUSTADO, INJUSTO E TRISTE

O Sr. Luis Carmelo, tomou a decisão de suspender temporariamente o Évora Sim.

De forma cobarde, ofensiva e ridícula, o Sr. Luis Carmelo tenta lançar, sobre o Évorablog, um derradeiro anátema, alegando que no Évorablog se enveredou por uma fulanização antidemocrática e mesquinha, levada à cena pela insustentável utilização do anonimato, ao mesmo tempo que, sem o mínimo pudor, decide vestir o papel de vitima e de inocente. Só este facto, que consideramos de uma baixeza atroz, revela muito da personalidade do Sr. Luis Carmelo. À miníma crítica objectiva, foge, refugiando-se numa putativa e presunçosa superioridade moral, de quem nunca fez ou disse nada que pudesse parecer duvidoso para os outros.

Esta é a mesma pessoa que, há uns dias atrás, afirmava, a nosso respeito, “Por nós tudo em paz e bem. Vamos então ser todos afirmativos. Na diferença (quando for caso disso). Chapeau.” E “eles têm a legitimidade para escrever o que quiserem e nós respeitaremos sempre. Ponto final.” Isto depois de, ao longo de semanas, o Sr. Luis Carmelo ter proferido ataques ao Évorablog e aos seus criadores (alguns deles extremamente ofensivos), normalmente sobre a questão do anonimato. A história está aí, para quem a quiser consultar. Visitem os arquivos, reparem nas datas e verifiquem quem primeiro atirou a pedra.

Podíamos ter, então, usado da mesma táctica. “Encerramos o Évorablog porque o Évora Sim não nos respeita enquanto opinadores”. Nunca o faríamos. Porque achamos ridícula e triste essa atitude.

Em boa verdade, estamos surpreendidos. Julgávamos nós que estas figuras de “virgem ofendida” já não fizessem sentido. Julgávamos nós que estas atitudes - que mais não são do que uma tentativa de voltar a descredibilzar o Évorablog, com o recurso à categorização maniqueísta dos intervenientes (o Sr. Luis Carmelo no papel de bom, inocente e desgraçado; o Giraldo e o Sertório no papel de maus, insensíveis, antidemocráticos e os fil*** da pu**) - já não se utilizassem. Enganámo-nos.

Nunca colocámos em causa a liberdade do Sr. Luis Carmelo para escrever o que bem entendesse. Nunca considerámos o Évora Sim um espaço dispensável. Antes pelo contrário. Achamo-lo interessante, válido, importante. Nunca colocámos em dúvida a integridade moral e intelectual do cidadão Luis Carmelo. Contudo, assistiu-nos o direito de ripostar quando fomos por ele atacados. Assim como nos assiste o direito e a liberdade de criticar a forma por vezes excessivamente engajada, comprometida e corporativa como o Sr. Luis Carmelo se manifesta na defesa das suas ideias e das suas posições de cariz político, envolvendo a nossa cidade. Porque o gostávamos de ver mais solto, e não ao serviço do «dono». O Sr. Luis Carmelo só teria de responder, se o quisesse fazer.

A nossa concepção do que significa viver em liberdade - num ambiente pluralista, aberto, sem medos e receios de qualquer ordem - contempla a existência de críticas construtivas ou destrutivas, reparos bem ou mal intencionados, comentários mais ou menos injustos, ataques pessoais, fulanizações, etc. Não vivemos nós numa sociedade pluralista? Não vivemos em liberdade de expressão? Enveredar por uma atitude infantil de auto-vitimação não lembra ao Diabo.

Gostávamos que o Sr. Luis Carmelo voltasse. Mas não o vamos pedir. E muito menos emitir um pedido de desculpas. Consideramos que não pisámos nenhum limiar de decência, boa fé ou fair play. Tivemos, inclusivamente, o cuidado de avisar antecipadamente o Sr. Luis Carmelo da existência de cartas com referências objectivas à sua figura pública, antes de as publicarmos. Tentámos ser sempre justos, «jogar» limpo.

As atitudes e as decisões ficam com quem as toma. As nossas, connosco. As do Sr. Luis Carmelo, com ele. E com elas, vamos conhecendo melhor com quem lidamos.


O Sertório
O Giraldo


quarta-feira, setembro 17, 2003

SÓ UM ERRO

Não descontextualize os posts. Não era ao blog que me referia. Sim ao jornal. "Évora e o mais", não era? Esse mesmo. Cumprimentos.

UMA CRÍTICA CONCRETA

Elementos criticáveis no VIVA RUA? Vários. Em primeiro lugar, o facto de se permitir que, durante dois longos meses, um «mamarracho» de um palco marcasse, pela negativa, a perspectiva da Praça do Giraldo.
Em segundo lugar, a sensação de que se poderiam ter convidado menos grupos ou artistas, mas bem mais interessantes e conceituados. Do ponto de vista qualitativo, as escolhas eram de tal forma heterogéneas que, no final , a média se afundava.
Em terceiro lugar, insistir-se no mesmo local para a realização dos espectáculos - o que impedia alguma «descentralização» e acabava por «castigar» os mesmos de sempre com o barulho.

Mas o VIVA RUA foi e continua a ser uma boa ideia. Porque razão este executivo fez tabula rasa do evento? Porque não se corrigiram os defeitos e não se continuou um interessante trabalho de animação nocturna da cidade? Porque razão se construiu um palco (com instalações de suporte) no ex-Jardim das Canas se, até à data, nunca foi utilizado? Terá sido por uma questão de princípio, ou seja, para se «rasgar» com a política anterior? Terá sido por falta de meios financeiros? De vontade política?

Francamente, depois de um Verão onde pouco ou nada aconteceu a nível cultural (e isto é uma crítica concreta, palpável, insofismável, que Luis Carmelo deverá encaixar com fair play), a generalidade dos eborenses (basta falar-se com as pessoas, na rua) esmoreceram.

Volta a perguntar: porquê?


TERÁ O CHAPARRO RAZÃO?

Estas discussões entre o Évorablog e o Évora Sim serão um sinónimo de «umbiguismo»? Provavelmente.

QUE É FEITO...

...do nosso (ex?) leitor Fernando Pinto? Um eborense e arquitecto que teve sempre uma opinião muito clara sobre o futuro do Rossio de S. Brás, nem sequer se dignou a escrever-nos sobre o assunto... Não terá arranjado um tempinho para alinhavar uma 'postinha' aqui para o Évorablog? Vá lá, Fernando: escreva-nos!

AFINAL...

Afinal, circula por aí uma Agenda Cultural. Pobrezinha, fininha e muito parecida na forma à do anterior executivo. O Évorablog pergunta: não se poderia retirar uma fatizinha do dinheiro que vai para a NBP para melhorar a coisa?

DE LUIS CARMELO

”Giraldo:
Apenas uma coisa sobre o vosso "Não há remédio": nunca houve censura no Évorasim. NUNCA. NUNCA. NUNCA. Se cometi algum erro de avaliação sobre a natureza do Evorablog - e confesso que me enganei inicialmente no "rosto" (também sei autocriticar-me) - lamento. É humano errar.
Seja como for, o único limite que continuo a ver na ciberdemocracia é a ofensa pessoal, a fulanização. Isso nunca pratiquei como disse na "minha posta". é coisa que em dez anos de crónicas nunca fiz. NUNCA. E vejo agora que fazem comigo com naturalidade. Concordam ?
Mais do que alinhado eu estou no poder (fui convidado e aceitei - não é a minha vocação essencial e principal na vida como toda a gente sabe). É algum pecado estar no poder e, ao mesmo tempo, noutro registo, desenvolver um blogue para discussão pública ?
Agora passou o Giraldo a chamar "inintelígível" e outras coisas ao meu blogue local. OK, é legítimo. Fica com quem o diz (e vê-se que estava arreliado. Muito). Agora não não digam que eu estou armado em "musa ofendida". Pois, não acham, repito, que a fulanização - o ataque pessoal mais soez - está para além de tudo ?
Cordialmente LC”


Vou deixar ao meu colega Giraldo o «trabalho» de responder a esta carta. Pela minha parte, gostaria apenas de realçar um ponto: o Giraldo e o Sertório não acham que é pecado estar no poder. Nem consideramos errado, criticável ou incompatível, a um cidadão ligado ao poder político, desenvolver um blogue para discussão pública. O exercício do poder não tem de ser castrador das capacidades intelectuais de quem o exerce. Nem deveria ser antónimo de liberdade de expressão, espirito critico, lucidez, cabeça limpa.
O problema poderá surgir quando o exercício do poder – e o tal engajamento de que falava um leitor – conduz a que essa discussão – que se quer aberta, franca, livre de maniqueísmos e amofinamentos – fique inquinada. Pelo quê? Por essa cega obsessão em julgar que quem critica só «diz mal»; que quem acusa, por vezes veementemente e com notório «arreliamento», só o faz por desconhecimento, má fé ou estupidez. Ou por uma atitude de autismo sobre opiniões contrárias e de distanciamento face à ralé.
O que nós podemos, e devemos, criticar, a quem está próximo do poder, é a tendência para denegrir ou menosprezar os outros. A tendência para pensar "nós, os especialistas, que estamos aqui a desempenhar esta difícil tarefa, nós é que percebemos de tudo". Pior do que atacar de forma primária e sem fundamento quem exerce o poder, é assistir à presunção e à prepotência de quem o exerce ou serve. Porque, para todos os efeitos, o poder – real e com capacidade para afectar a vida de todos – estará sempre numa posição de privilégio. Digam o que disserem (que o exercício do poder não é fácil; que exige sacrificios, etc. etc. etc.), quem exerce esse poder, quem detém a prerrogativa de decidir sobre o quotidiano de uma cidade, terá essa vantagem «competitiva» (visível, até, na forma como tem acesso a informação previlegiada que escapa ao comum dos mortais).
Se um dia disserem que o Sertório está engajado de uma forma que “até dói”, penso que terá chegado a altura de pensar seriamente no que ando aqui a fazer (por exmeplo, porque razão podem pensar isso de mim). Mas, ainda assim, eu sou um mero cidadão. A minha postura e o meu engajamento afectar-me-ão a mim. Só a mim. Ora, quem exerce um cargo de decisão política – como parece ser o caso do Luis Carmelo – tem de ter a noção clara de que as suas acções, opções e decisões afectam a vida de todos. Nesse caso, todo o cuidado é pouco. É essencial interrogarmo-nos sobre o que andamos a fazer (ou a deixar de fazer). E ter sempre presente que somos seres humanos - falíveis e permeáveis. Ou seja, ou o Évora Sim se põe a pau (perdoar-me-á Luis Carmelo a arrogância) ou cairá na doce tentação de servir a voz do dono – de forma mais ou menos escabrosa e descarada. Servir de correia de transmissão ao poder não é propriamente a melhor forma de discussão publica. E Luis Carmelo – mais uma vez, espero que enquadre o que vou dizer – insiste ciclicamente nesse erro. Conseguirá Luis Carmelo, no seu Évora Sim, desprender-se dessa ligação que, quer ele queira, quer não queira, poderá toldar-lhe o seu próprio sentido crítico e desequilibrar as doses de presunção e jactância que ele deveria tomar? A ver vamos.


terça-feira, setembro 16, 2003

JÁ NÃO HÁ REMÉDIO!

Pronto! Já não há remédio. Meti-me nestas coisas dos blogs quase por graça e por achar que era tempo de, mais uma vez, como noutras tentativas menos anónimas, com nome por baixo e tudo, começar a discutir o que vai por Évora. Sem as censuras bacocas de outros blogs – nem sequer me interessa saber se é ou não verdade – e de forma a que nem tudo o que é opinião tivesse de passar por essa folha de couve, seca e amarga, que dá pelo nome de Diário do Sul.
Também, digo-vos já, não vou usar este blog para criticar mais esse pasquim. Sobre ele já disse tudo o que pensava e estar a dizer mais é dar-lhe a importância que, definitivamente, não tem.
O que vejo é que o Évorablog está a tornar-se mais que uma brincadeira e um local descontraído para olhar a cidade. Começa a ser um ponto de referência para iniciar uma discussão que pode tomar contornos mais sérios.
Olho agora para o blog e vejo no registo das visitas que temos 1400 e tal entradas, sem que o contador tenha sido inserido no início. Subtraio-lhe por aí umas 500 vezes em que eu e o Sertório tenhamos actualizado o blog – acho muito, mas, enfim… -, mais 500 que tenham entrado por acaso e não ligaram mais. Sobram 400. Junto-lhe os mais de seis dezenas de mails recebidos – muitos deles publicados, outros apenas lidos por conterem meras referências elogiosas ou não sobre o blog – e vejo-me no meio de uma brincadeira séria.
Não penso, narcisisticamente – passe o mau jeito do advérbio -, que este se tenha tornado o melhor espaço para a discussão livre da cidade. É um deles. Se nos multiplicarmos de dia para dia, talvez um destes dias venhamos a encontrar outras formas livres, plurais e democráticas de discutir Évora. Para já estamos aqui. Depois se verá.
Já não posso passar uns dias sem cá vir. Sempre que abro, o Sertório actualizou. Há novas missivas, novos temas lançados à discussão, mais olhares críticos para esta “nossa” cidade, como muito gosta de dizer o antigo presidente Abílio (ontem voltou a falar da “nossa cidade de Évora” no Garcia de Resende na recepção ao escritor Luis Sepúlveda, com um verdadeiro discurso de quem ainda se vê como presidente da autarquia, longe de perceber que o seu tempo passou, o passado não torna, a História não se repete).
As solicitações são imensas. Começa este blog a assemelhar-se a um posto de trabalho. Não sei se me agrada isso. Agrada-me é que haja cada vez mais quem olhe para aqui com um sentido. O sentido de poder opinar livremente e discutir os problemas da cidade.

Post-scriptum – Carmelo baixou a guarda. Qual virgem ofendida diz estar a ser atacado. Como se não tivesse sido ele a iniciar as hostilidades. Já todos perceberam o modo como olha e opina sobre as coisas e a cor com que as pinta. Agora, deixem-no descansar. Até porque ele – e muitos outros - anda enganado. Pensa que o Évorablog tem um determinado rosto. Digo-lhe eu: não tem um rosto. Tem vários, como pode ver e ler. Aqui somos completamente livres de pensar. Não há lugar a qualquer lei marcial.

P.S.S - Só mais uma coisa, caro Luis Carmelo: não tomei “O Giraldo” como o princípio de tudo. Foi um ponto de partida, dizendo-lhe que a história está a ser feita por gente competente. Não queria que começasse pelas centenas de jornais que Évora teve no século XIX, ou pela dezena no início da I República, pois não?. Nunca mais daqui saíamos. O que nunca houve foi uma situação igual à actual, onde em plena democracia e sociedade de informação esta cidade tenha apenas algo que se assemelha a um jornal. Nem a dureza do Estado Novo nos trouxe um lápis tão azul. Quer saber? Para mim “O Giraldo” foi uma treta. Mas muito melhor que o seu ininteligível e fugaz Évora Sim, apenas visto no escaparate da tabacaria do respeitável sr. Hélder. Adeus.


"PARA LER E PENSAR"

Do Leitor MFA

"Após dias de silêncio, apenas a ler o que se diz, resolvi dizer também qualquer coisa...
Por convicção e, porque não, por solidariedade não vou dizer o meu nome.
Por vezes (muitas), o(a) dono(a) da voz é o que menos importa, no que é dito é que reside o cerne da questão. O anonimato permite a inexistência das barreiras feitas pelos juízos de valor e opiniões
pré-concebidas que se têm sobre outrém e que nos impedem de escutar algumas vozes. E o voto é secreto e não é por isso que se duvida dos resultados eleitorais...
Escrevo-vos para deixar o meu voto de parabéns pelo vosso trabalho e o meu voto de total compreensão e solidariedade em relação ao anonimato.
Preocupemo-nos com o que é dito sobre a nossa cidade e não com quem o diz...
Continuem a escrever, para que se continue a pensar e a ler.
Cumprimentos cordiais
MFA
"

Volte sempre. Cá estaremos para o receber.
Ao leitor "Nós por cá todos bem" a mensagem é igual. Preocupe-se, questione, escreva. Por mais alheados da realidade que eles andem, mais tarde ou mais cedo perceberão que embora envoltos na cortina do anonimato, estes posts reflectem muito do que por cá se pensa. "Será que nos querem apenas comer por parvos ou serão mesmo imbecis de todo? ", é a pergunta que nos deixa (lhes deixa, a eles). Penso que é um misto das duas. Um dia vão perceber que foram eles quem se deixou comer e que a imbecilidade há muito lhes rondava a porta. Escreva. "Ouvi-lo-emos", como a todos, com a máxima atenção.


Ó LUIS, MAIS UM...

Do(s) leitor(s) Nós Por Cá Todos Bem chega-nos esta missiva:

Não há evorablogs de graça
”A coisa não deixa de ter graça. Sai-se de Évora em Junho passado e o deserto informativo e de debate era igual a muitos zeros. Regressa-se e deparamo-nos com uma actividade desenfreada ao nível opinativo na net. Num deserto de opiniões e de criatividade, o Evorablog conseguiu desencadear um verdadeiro oásis de crítica e de liberdade. Uma liberdade que surpreende numa terra habituada às clivagens medíocres de que quem não está connosco está contra nós e de que o exemplo mais conseguido é o do escritor, politico, cronista e professor (apenas?) Luís Carmelo, cujo engajamento político até dói e só tem paralelo na subserviência de que Luís Delgado (esse, o do DN, da Lusa e agora da Antena 1) tem dado sobejas provas no dobrar da cerviz perante os poderes instituídos. Um ao nível local, outro ao nível nacional. Esperava-se mais quer de um, quer de outro? Duvido. Cada qual é como é e - sem pretender ofender, longe disso - cada perdigueiro escolhe o dono que lhe dá comida à mão. Mas honra seja feita aos perdigueiros que ainda mantêm alguns laivos de autonomia e de vez em quando "bifam" a caça que o dono queria para si.
No entanto, estas são contas de um outro rosário já que entre os blogs de Évora foi decretada a paz universal. Como se o cinzentismo pudesse ser assim decretado do pé para a mão. Ou do dedo para o teclado.
Depois de ter andado na Europa (mas não pela Europa, onde não dispunha de NET), este regresso a Évora deixa-me curioso pela força bloguista que faz com que os antigos jornais - e esse produto arqueológico que ainda vai saindo e que dá pelo nome de Diário do Sul (e que tanta atracção produziu no tempo da CDU de má memória e do deste PS também de muito mau presente) - estejam ultrapassados. Tão ultrapassados como a forma de fazer hoje politica com os partidos, partidinhos e quejandos que mais não são do que autênticas agências de emprego e de poder, todos empenhado em trabalharem para nós e interessadissimos na nossa salvação. Bem hajam, pela parte que me cabe, mas dispenso-os a todos de uma assentada. Em nome, pelo menos, de alguma higiene mental.
Mas estas mentes brilhantes que querem que aceitemos esta forma de fazer e estar na política (sejam os próprios detentores do poder, sejam os seus influenciadores ideológicos) ainda não viram que com coisas como a velocidade da informação, a Net, por exemplo, a politica partidária e representativa que herdámos - já lá vão mais de 100 anos - é uma coisa tão anacrónica como os telegrafos morse ou o uso de sanguessugas no alívio das dores de cabeça? Será que nos querem apenas comer por parvos ou serão mesmo imbecis de todo?
Mas deixemos isto para outra ocasião. E elas não faltarão, de certeza. Prometo que voltarei um dia destes à carga sobre a discussão em torno da cidade, caso os administradores deste Blog aceitem este meu primeiro contributo.
Para já, uma última nota. Que mal fizemos nós à Câmara para se continuar a pagar no parque atrás do Teatro Garcia de Rezende, se as obras continuam, continuam, continuam, não tendo nós utilizadores o mínimo conforto - com terra, pó e máquinas a porem em risco os nossos automóveis (quando chover será bem pior) - mas sendo obrigatório o pagamento, quando o que deveria haver era incentivos para que os carros ali estacionassem a fim de libertarem a cidade do pandemónio que o PS tanto criticou, mas que só tem ajudado a agravar.
Por sinal (à atenção da voz do dono mais mediático da Câmara de Évora, de que já falámos atrás): há algum serviço público que, nos últimos tempos tenha saído do interior da cidade para as zonas limítrofes?”


O Giraldo e o Sertório deixarão os comentários a esta missiva para mais tarde...


MAIS CORREIO

Do Modernizador:

"Há uns anos atrás recebi em casa um folheto da Câmara Municipal de Évora ainda do executivo do Dr. Abílio Fernandes, onde se mostrava que na variante de entrada na cidade a sul mesmo um bocado antes de chegar à Lagril, e depois da ponte sobre a linha férrea de Estremoz e de Reguengos, a existência de um túnel mesmo por baixo da variante, o qual nunca havia sido utilizado, e em que no boletim se referia que iria ser construída uma ligação desde a avenida D.Leonor Fernandes até à Horta das Figueiras, passando por esse túnel. Por onde anda essa variante interna que tanta falta faz para não termos de andar a contornar o Rossio ou a dar a volta à variante pela Tyco entrando depois pelo bairro de Nossa Sra. do Carmo em direcção à Horta das Figueiras? Não falando da vergonha que é a entrada a sul cheio de matagal até à Lagril (tirando o caso do M.A.R.É.). Já viram os benefícios que era se fosse construída essa variante interna? Acho que mais informação online acerca deste assunto está disponível em www.cm-evora.pt/pu e está num título que é "área sul/nascente de entrada na cidade"!!!!!
E outra coisa é o afunilamento da avenida D. Leonor Fernandes depois de se
passar as bombas de gasolina da Nau em direcção à Quinta do Estoril, já
repararam no contraste que é a largura da via? Por favor que se faça alguma coisa em relação a isso!! Depois de uma avenida tão extensa uma pessoa deparar-se com aquilo até se sente perdida!!!!!! Mas se a variante referida atrás for realmente real (depois de 25 anos de promessas é de se andar com um pé atrás), ela que venha resolver os problemas já referidos e outros que me tenham passado ao lado.
É de louvar a iniciativa levada a cabo pela Cãmara pelo arranjo dos espaços
exteriores na Av. Heróis do Ultramar cujos espaços se encontravam abandonados há muito tempo, por isso os meus parabéns pela obra (também não é só criticar!!!!)
Mas também não é para sorrisos porque ali mesmo ao pé no prolongamento da Av. Infante D.Henrique em direcção ao bairro de Sta.Luzia existe ali também um grande problema para ser corrigido que é uma parede que está a ocupar um terço da largura da avenida em que mal se cruzam dois carros, isto devia ser corrigido urgentemente pois é uma situação lamentável – embora os Eborenses estejam já habituados a estas situações!!!!!!! eles sabem que é verdade, que há muita coisa que.........Enfim."



POLÉMICA?

Missiva dos Meninos da Graça:

”A propósito do subsídio atribuído pela CME à TVI para a rodagem de uma telenovela em Évora, emitimos a nossa opinião para o blogue do Sr. Luís Carmelo e fomos censurados.
Gostaríamos de saber porquê.
Será que não gostou que dissemos que era de facto alinhado já que tinha tido necessidade de vir justificar o Poder?
Ou os milhares de euros que recebe por mês da CME destinam-se a manter o tal blogue como um espaço pseudo independente onde só pode entrar quem estiver de acordo com o poder ou cujas opiniões sejam facilmente contestadas pela douta prosa do Dr.?
Se for isso ficámos a saber para que é pago. Outra coisa não faz.
Mas já agora Dr. Luís peça lá
aos seus patrões para subtrairem uns dinheirinhos aos subsídios a privados :ÉVORAMODA, Aficionar (damos um doce a quem descobrir quem transportou, de Reguengos para Évora, a barraquita que esteve junto ao Templo a vender bilhetes) TVI, Associação de Jovens empresários ...
É que o pessoal da recolha de lixo anda com a sua roupa a recolher lixo, a mesma que leva para casa; há funcionários que já deviam ter sido promovidos e há obras paradas por falta de pagamento aos empreiteiros.”


Caros Meninos da Graça: não sabemos se Luis Carmelo vos censurou. E não nos agrada transformar o Évorablog num palco para ataques pessoais entre os nossos leitores e os autores de outros blogues. Ainda assim, decidimos publicar esta carta para que o autor do Évora Sim possa esclarecer a questão (se achar que o deve fazer) e dizer de sua justiça. E também porque foram levantadas questões relativas à organização da cidade (recolha do lixo, obras públicas) que importa ver esclarecidas.


sábado, setembro 13, 2003

A SORRIR

Sobre a 'posta' "Paz na blogosfera eborense aos blogues de boa vontade" no Évora Sim, questionamo-nos: o caro Luis tem andado muito na companhia do Sr. Justerini e do Sr. Brooks, não tem? :-)) Receba lá um abraço do Sertório e do Giraldo.



UMA NOVELA PERTO DE SI

Do leitor, e já quase colaborador, Modernizador, chega-nos a seguinte missiva:

”Para quem tem colocado questões relativamente aos subsidios atribuidos às entidades que iram rodar uma nova novela em Évora, essas pessoas não sabem quanto custa promover uma cidade perante um país ou mesmo perante o estrangeiro. Eu sou a favor de se levantar questões em relação a subsidios atribuidos a privados, mas bolas!: não estamos a falar de folhetos, de anúncios de rádio, nem sequer de pequenas brochuras acerca da cidade. Estamos a falar de um certo tempo por dia de promoção da cidade na televisão, por 125 mil euros. Onde é que se consegue um espaço de tempo na televisão equivalente, durante o tempo que irá rodar a dita novela? Por isso, primeiro exponham o tempo que a duração da novela irá ter no centro de Évora para depois ser feita uma avaliação acerca do subsidio (se foi ou não bem atribuído). Não sejam más línguas em falar antes do tempo. Se querem ver as vantagens de uma novela rodar em determinado local, vão a www.correiomanha.pt e façam uma pesquisa por "Novela Lagos". A noticia tem como título "todos querem ver os cenários da novela" e data de Sábado 19 de Julho de 2003. Sem querer "atingir" ninguém, e sem querer que se retraiam em relação a mim, deixo uma pergunta no ar: - Voltariam a escrever o mesmo depois de lerem a referida noticia ?”

Para que conste, o Évorablog nada tem contra a rodagem de uma telenovela tendo por cenário a nossa mui bela cidade. Sabemos que essas coisas, apesar de culturalmente incorrectas (ainda para mais vindas da inenarrável produção nacional da TVI), produzem os seus efeitos positivos ao nível da divulgação da cidade. O facto de diariamente Évora aparecer no écran de um dos canais nacionais mais populares, terá os seus efeitos. Negar isso é enfiar a cabeça na areia. Por outro lado, e apesar da NPB ser uma empresa privada que se rege por uma lógica de lucro, nada invalida que uma entidade privada possa, paralelamente à sua vocação de gerar lucro, prestar outros serviços – inclusivamente serviços públicos ou de divulgação de uma cidade, região, etc. Deixemo-nos de preconceitos.

Agora, o reverso da medalha. Deverá essa entidade privada ser subsidiada pelo executivo camarário, ou seja, pelos munícipes? E, se o não fosse, Évora teria sido a cidade escolhida? É aqui que a porca pode torcer o rabo. Já nos pode causar alguma apreensão verificar que meios financeiros podem estar a ser desviados de áreas bem mais prioritárias – embora menos mediáticas e notórias – para exercícios de «fogo fátuo». Falam-nos em 25 mil contos de subsidio à NBP. Para um executivo que, durante tantos meses, e ainda agora, lamenta o desequilíbrio orçamental e a quase falência técnica em que foi encontrar a edilidade, todos os critérios no sentido de eleger prioridades são poucos. Dir-me-ão: 25 mil contos é pouco. Será? Teriam sido necessários para colocar Évora no mapa? Évora não deveria estar no mapa por outras razões - pela qualidade dos seus serviços, pela organização da cidade (sinalética, trânsito, mobilidade), pelos espaços verdes, pelo brio na manutenção das ruas e avenidas, pela limpeza e pela preservação do seu património, pela excelência dos seus roteiros culturais, etc. etc.? Não se estará a colocar o carro à frente dos bois? Nestas coisas, o Sertório e o Giraldo gostam sempre de fazer o papel de chatos e de «velhos do Restelo», perguntando: numa cidade que apresenta ainda tantos problemas por resolver, não haveria outra área onde melhor aplicar esse dinheiro? A questão está longe de ser pacifica.

Mas há um pormenor que nos ficou atravessado, e sobre o qual não temos a menor dúvida em protestar. Falamos da tendência para um certo tique provinciano relativamente a tudo o que vem de fora. Parece-nos patética e escusada a pompa e a circunstância da cerimónia de assinatura do protocolo com a NBP. Não nos parece razoável ver o nosso Presidente da Câmara a fazer essas figuras – passeando na rua com os actores e actrizes e com o representante do conselho de administração da empresa, como se de um chefe de Estado se tratasse. Bem sei que saber receber é uma arte, e a educação e a simpatia têm de marcar presença em todas as cerimónias. Mas, caramba: era escusada tanta bajulação!


UM ALERTA

O leitor Modernizador chama a atenção para o problema da degradação do centro histórico:

”Hoje venho chamar a atenção para a degradação do centro histórico, nomeadamente o caso de duas casas que se encontram em ruínas, no Largo Severim de Faria ao pé do café Katekero. Peço a atenção da Câmara Municipal de Évora ou dos respectivos proprietários. Deve haver uma solução para resolver esse problema, o qual deve de ser urgentemente resolvido. É que com o estado avançado de degradação em que se encontram, duvido que sobrevivam a outro Inverno chuvoso. Para além de ser um autêntico atentado à beleza e conservação do nosso património. Por isso os eborenses apelam à urgência de uma solução para este verdadeiro problema."


”ÉVORA TEM O QUE MERECE”?

A leitora Blimunda contesta:

”Em texto intitulado "Évora só tem o que merece" acusa-se a administração do "Sr. Abílio" de escorraçar e perseguir quem frontalmente os criticou.
De facto a memória é curta e é de elementar justiça recordar:
- Quem apoiou a publicação dos primeiros livros do Dr. Monarca Pinheiro, quase desde sempre critico encartado da gestão CDU e hoje "digníssimo assessor" da Câmara PS?
R: A Câmara "do sr. Abílio"
- Quem promoveu as exposições do Sr. José Manuel Rodrigues quando voltou da Holanda e ninguém o conhecia, hoje "dignissímo assessor" da Câmara PS?
R:A Câmara "do sr. Abílio"
- Lembram-se de um funcionário da CME que, no final do mandato veio acusar, na Praça Pública, os seus superiores e os seus colegas de incompetência e má fé sobre a água do Divor, sabem o que disciplinarmente lhe aconteceu?
R:Nada
Se isto é escorraçar e perseguir que dizer da Câmara PS que admite levantar processos crime por delito de opinião?”


Cara Blimunda: não são três ou quatro exemplos que poderão sonegar o que era visível a olho nu. Apesar de não ter sido eu o autor desse texto (o meu colega Giraldo terá a oportunidade de responder à sua missiva), compreendo o tom e o teor dessa passagem. Talvez o termo “escorraçar” e “perseguição” sejam excessivos, mas eu pergunto: alguém estava para aturar durante mais quatro anos a arrogância e altivez do Dr. Almeida Henriques e do Dr. Pinto ? A sobranceria e o cinismo do Arq. Bouça? A bonomia e o desgaste do Dr. Abilio Fernandes?
Agora, se a arrogância, altivez, sobranceria e cinismo de uns foram substituídos pelos de outros, então eu direi que estaremos mal.
Quanto à ameaça de processos crimes por delito de opinião, por parte do actual executivo, só poderá ser uma atitude a censurar! A ver vamos.


CORREIO DOS LEITORES

Da nossa leitora Maria:

"Opinou um dos nossos amigos "bloguistas": a indignação resultante do facto do espectáculo do Rodrigo Leão ser pago resultou da falta de informação e do facto de "estarmos mal habituados".
Para mim a razão é da natureza das coisas.
As autarquias devem empregar os dinheiros públicos em promoções culturais e acessíveis a todos em pé de igualdade e não em promoções e/ou apoios de iniciativas privadas que visam acima de tudo (legitimamente) o lucro.
Os dinheiros públicos devem servir para disponibilizar a todos (e só vejo uma forma de o fazer: entradas livres e gratuitas) iniciativas que acrescentem qualquer coisa ao nosso património cultural individual e colectivo.
Para a promoção de iniciativas de carácter meramente comercial existem as empresas do ramos (sem subsídios, ou não defende o PS a livre concorrência?)
Para além disto a realização de iniciativas deste género, no Jardim Público, em horário em que o Jardim devia estar aberto à fruição de todos, resulta na prática, na instituição (pontual, bem sei) de entradas pagas no Jardim.
Porque não alugaram o teatro municipal à empresa que promoveu o espectáclo?"


Do ponto de vista formal, tão "público" é o Jardim Público como é o teatro municipal. O teatro muncipal é, de facto, um espaço vocacionado para receber espectáculos desse tipo (teatrais, musicais, etc.). Mas é bom lembrar que o Jardim Público ainda tem por lá um coreto - onde, em tempos, se servia música (para ouvir, dançar, etc.). Em princípio, não nos traz qualquer tipo de crispação o facto de se organizarem espectáculos musicais no Jardim - a pagar ou não. Agora, tem a Maria razão quando insinua que, do ponto de vista logistíco e de organização, esse tipo de eventos não gratuitos levanta alguns problemas: como conciliar as entradas no Jardim para a habitual e usual fruição do espaço, no seu horário normal, com as entradas de quem pagou para entrar? Não dá. A não ser que se coloque o palco para o espectáculo numa outra ponta do Jardim e se vede, a meio, o acesso livre aos acidentais transeuntes. Ou seja: organizar um evento desse tipo no Jardim público levanta alguns problemas nada fáceis de resolver. Para não falar na questão de se correrem sérios riscos de se danificar o Jardim (caso um dia a «casa» se encha).
A solução passaria, de facto, pela inclusão desse tipo de espectáculos não gratuitos nos sítios próprios - em salas ou zonas exclusivas para o efeito. Acontece que, desgraçadamente, Évora não tem um auditório ao ar livre para acolher espectáculos de música. Nem sequer tem um pavilhão coberto em condições para servir de alternativa ao teatro municipal. Eis uma das heranças pesadas do longo mandato da CDU: nunca se planeou nada nesse sentido.
Resumindo: o Évorablog entende como natural a existência de espectáculos não gratuitos. Assim como entende que a CME pode, e deve, patrocinar a organização de eventos de maneira a que os mesmos sejam gratuitos. Há lugar para uns e para outros - depende da natureza, das circunstâncias, da capacidade e das exigências de momento. A única coisa que pedimos é que se informe a população do que a espera. Para esse efeito, seria essencial recuperar a ideia de uma Agenda Cultural (cuja periodicidade poderia, ou não, coincidir com a anterior). Para a malta se ir orientando (isto, é claro, se houvesse material para encher as páginas da dita publicação...). E, já agora, que não fosse publicada no Diário do Sul.


quinta-feira, setembro 11, 2003

MAIS CORREIO

Do nosso leitor Tutank Amon:

"O templo "de Diana" serve de palco mais uma vez para um acontecimento "cultural". Não chegou o tão badalado Évora Moda, com direito a vedação circundante, agora teremos o nosso queridíssimo Nuno da Câmara Pereira a utilizar um dos nossos mais queridos monumentos como pano de fundo para a sua actuação (e será que é à borla?).. Triste.. Lembro ainda o concerto do Rodrigo Leão a 15 euros no jardim "público". Tiraram-nos o Vivà Rua pra isto.. Blogs partam esta administração!!"

Sobre a utilização do Templo de Diana como cenário de fundo para espectáculos, estamos com a nossa leitora Maria. E consigo. Achamos de muito mau gosto utilizar aquele largo para manifestações culturais. Nem vamos pelas questões «técnicas» levantadas pela Maria. Basta observar a questão estética. Assim como basta colocar um pouco a mão na consciência para reconhecer que o Templo, o largo, toda aquela nobre área merece respeito. Já sei que uns dirão que a cidade não pode ser um museu, intocável e hermeticamente encerrada ao «povo». Pois. Para nós isso é conversa treta. As coisas têm o seu palco próprio. Existe uma coisa chamada "bom senso". E outra chamada "sentido das proporções". Não pedimos mais. E cuidado com os precedentes...

Quanto ao espectáculo do Rodrigo Leão, verificou-se um nítido caso de falsas expectativas. Se calhar estamos mal habituados - essa é que é essa. A cultura - e as manifestações das chamadas «artes vivas» - não têm necessariamente de ser gratuitas. Mas é verdade que, à falta do Vivá Rua, os eborenses criaram a expectativa de que certos espectáculos supostamente incluídos nas denominadas "Festas da Cidade", organizadas pelos presente executivo, seriam gratuitos. Daí que, à porta do Jardim, na noite em que actuava o Rodrigo Leão, muitas foram as pessoas que se foram embora, protestando. O problema está na definição e na falta de informação. Se se acabou com o Vivá Rua (uma ideia interessante manchada por critérios artísticos duvidosos e por erros de organização imperdoáveis), a CME deveria ter informado as pessoas do que se seguia. Se é que se seguia alguma coisa. Como isso não foi feito, os eborenses esperaram mais do mesmo, i. e., espectáculos de entrada livre. Seria bom informar os munícipes do que passa. Por exemplo, através de uma agenda cultural - como o fazia o antigo executivo (sinceramente, ninguém percebeu ainda porque razão se acabou com a agenda cultural).


O VIRGEM OFENDIDA

Luis Carmelo, no seu blog Évora Sim, tratou de fazer a típica fuga para a frente. Numa ‘posta’ intitulada “Discussões estéreis e alinhamentos”, Luis Carmelo até começou bem - afirmando que “eles [o Giraldo e o Sertório] têm a legitimidade para escrever o que quiserem e nós respeitaremos sempre. Ponto final”. Só que o “ponto final” foi para inglês ver. Luis Carmelo, como é seu apanágio, tinha de ir um «pouquinho» mais longe. Quem acaba a ler a sua ‘posta’ não pode deixar de ficar com a sensação de que o pobre Luis foi alvo de uma série de ataques deselegantes, pouco ou nada cordatos e mentirosos, por parte de uns tipos «alinhados» que, cobardemente, se escondem por detrás de dois pseudónimos. É claro que, na cabeça de Luis Carmelo, ele não terá provocado e «picado»; não terá levantado insinuações de gosto duvidoso sobre a credibilidade dos autores do Évorablog; nem terá sido deselegante e injusto. Em suma, um pobre inocente.

Promete-nos agora que não voltará às «alfinetadas» e que respeitará o nosso blog. Ora, se isso acontecer, o Giraldo e o Sertório prometem acender uma velinha. Porquê? Porque seria a primeira vez. Toda a gente sabe, e o Luis Carmelo também, que no Évora Sim nunca se respeitou o Évorablog (a que não é alheio o conjunto de mensagens de solidariedade por nós recebidas). A prová-lo esteve a forma absolutamente deselegante e injusta como se atacou a questão dos pseudónimos. Foi o Évora Sim que tentou denegrir e descredibiliar um outro blog - seu par na discussão em torno da cidade. O «ataque» foi sempre encetado e despoletado por Luis Carmelo e pelos seus colaboradores (que ninguém sabe quem são). Foram várias as vezes em que Luis Carmelo insinuou que as pessoas por detrás do Giraldo e do Sertório estavam a “iludir” ou a “enganar” quem os lia.

Agora, nesta tentativa de apaziguamento (que o Évorablog, depois desta ‘posta’ respeitará e acatará com reverente respeito), também levantou novos «encanitamentos»: o dos “campos definidos" e das “pedras do jogo que foram relançadas”.

A malta, por aqui, já soluça. Ficámos a saber que estamos metidos num “jogo” com “campos” bem definidos. Eis, meus caros leitores, o paradigma da mesquinha mentalidade eborense: a existência de “jogos” e “campos” é fundamental. De preferência antagónicos. As águas têm de estar bem separadas e os «alinhamentos» presentes, não acabe alguém a enganar o outro.

No fundo, nada mudou em Évora. Nos meios intelectuais e políticos, continua a alimentar-se o velho e prazenteiro exercício de auto-segregação. Ninguém aqui pretende atacar ou lançar suspeitas sobre ninguém, mas eles tratam de enfiar a carapuça e de se arrumar. Continuam a discutir-se as mais diversas questões com base em “campos”, em “lutas”, em “barricadas”. E não há forma de deitar no lixo essa tralha preconceituosa, obtusa, estúpida.

Mas Luis Carmelo contradiz-se. Se ele, naquela que é a sua mais narcisista alínea, afirma que tem um “pensamento próprio”, renegando a um hipotético «alinhamento» (chegando a oferecer a sua bibliografia como prova), porque razão depois afirma que os “campos” se definiram? Porque razão aplica aos outros aquilo que ele não aplica a si próprio? Em que é que ficamos? Os «campos» são só para os outros? Se existirem, Luis Carmelo será um ‘outsider’?

Pela nossa parte, repetimos o que sempre dissemos: não temos nada contra o actual executivo camarário, nem contra os que lhe são próximos. Vimos com bons olhos, e tivemos oportunidade de aplaudir, a mudança de poder de há dois anos atrás. Não somos contra-poder nem somos eco de um hipotético e patético saudosismo do tempo do Sr. Abilio. Não estamos ligados a nenhum partido, não convivemos com as mais proeminentes figuras do ‘milieu’ cultural, político e intelectual eborense. Se Luis Carmelo quer separar as águas, que o faça por sua livre iniciativa. Agora, não nos inclua no seu trabalho de compartimentação. Não estamos para aí virados. Nem sequer essa luva nos assenta.

Esperamos, sinceramente, que Luis Carmelo sacuda, de uma vez por todas, os seus preconceitos em relação a nós e que pare de olhar os seus pares como figuras de um jogo político, só porque as nossas opiniões não encaixam nas suas.

Por último, não podemos deixar de comentar a insinuação de que, tanto o Giraldo como o Sertório, são pela «estatização» da sociedade, esperando que seja o Estado (ou a Autarquia) a resolver todos os problemas da cidade e a fomentar outras iniciativas. A insinuação, para além de errada, é bastante engraçada. É que o Giraldo e o Sertório são tipos perfeitamente liberais, que sempre alinharam na perspectiva de reforçar o poder da sociedade civil e do denominado «exercício da cidadania». O nosso lema sempre foi “menos estado, melhor Estado”. Mas isso não nos impede de verificar que o Estado/Poder Local tem responsabilidades e funções a cumprir. Se as quer abandonar em certas matérias, que envie sinais claros de que devem ser os cidadãos a fazê-lo. Caso contrário, viveremos num limbo de incerteza quanto as competências de uns e de outros.

Luis Carmelo terá de compreender que não cabe aos cidadãos organizarem-se no sentido de calcetar as ruas, tapar buracos, recolher o lixo a horas decentes, cortar ruas ao trânsito, adquirir mobiliário urbano de qualidade, decidir as traves mestras da política cultural da cidade, etc. etc. etc. Nem vão ser os cidadãos que vão proibir os espectáculos junto ao Templo Romano. Poderão, quanto muito, pressionar, influenciar, insinuar, aconselhar. E votar. Mas, em concreto e na prática, a faca e o queijo estão nas mãos do poder executivo.

É precisamente esse poder de influenciar, pressionar e criticar que pretendemos proporcionar e incentivar neste blog. Como o Luis fará, e muito bem, com o seu. Por muito pequeno que seja o contributo – e é, de facto, muito pequeno – é esse o nosso papel. Oxalá haja mais participação. E fair play, já agora.

Pela nossa parte, «Peace».


quarta-feira, setembro 10, 2003

ÉVORA SÓ TEM O QUE MERECE

Já que o tema é levantado pelo leitor Sufragista Bloguista, avanço com uma ideia que tinha há algum tempo guardada para este blog. Não concordo que Évora seja uma cidade com défice democrático ou onde se não viva em Liberdade - escrevo com maiúscula, propositadamente, porque além de simples palavra tem um significado maior.
Concordo, no entanto, que não existe em Évora total abertura para a discussão de opiniões. Provavelmente isso deve-se ao facto do excessivo poder de controle que o partido que nos governou durante 25 anos sempre exerceu na cidade, perseguindo e escorraçando quem frontal e publicamente se mostrou desagradado com a sua forma de governo.
O que certamente esperávamos com a mudança operada era que não voltassem a repetir-se exemplos do passado. Infelizmente, digo, concordando com Sufragista Bloguista, que há situações que continuam a manter-se. Com cor diferente, mas muito iguais.
Não me quero alongar numa análise de filosofias, modus operandi e bastidores dos partidos. Regra geral e por aquilo que nos têm mostrado nestes quase 30 anos de Liberdade, mudando a cor e uma ou outra ideia e modo de actuação perante as necessidades do país, região ou concelho, os partidos funcionam todos de forma muito idêntica, preocupando-se em garantir bem estar aos seus, chamando a si os seus “boys” para controlar a situação. O que até nem discordo, diga-o com verdade. Mas essa é uma outra discussão, longa, que aqui não cabe.
Volto ao princípio da conversa. Quando refere não ser possível opinar livremente na comunicação social local, todos em Évora sabemos que não. Por várias razões.
Sem fazer história sobre a comunicação social local – há quem o esteja a fazer competentemente – basta recuarmos uns anos atrás para perceber porque temos a comunicação social que temos.
Nos anos 80 o jornal O Giraldo veio trazer uma lufada de ar fresco numa cidade apenas com o saudoso Notícias de Évora e o Diário do Sul, ambos diários com apenas quatro páginas, duas delas ocupadas com o romance e a página necrológica. De notícias, pouco, ou quase nada. O Giraldo, sem jornalistas profissionais, deu um ar da sua graça. Passou a noticiar a cidade, o que era inovador naquele período. Seria interessante perguntar ao seu director, Marcial Rodrigues, as razões por que não sobreviveu.
Vieram as rádios locais. Cheias de “pica” com um conjunto de jovens jornalistas em formação que passaram a ditar aos microfones o quotidiano da cidade. Três projectos, Rádio Jovem, Diana e Meridional. Cada uma com o seu estilo, mas todas com a preocupação de noticiar. Era bom perguntar hoje a José Faustino, da Diana, as razões que ditaram o final da aposta na informação. Perguntar aos responsáveis pela Meridional o porquê de serem obrigados a vender a rádio a Madeira Piçarra. E muito interessante seria também questionar António Espírito Santo as razões que o levaram recentemente a alienar a frequência da Jovem à TSF. Todos responderão, estou certo, que sempre sentiram dificuldades em ser aceites e verem os seus projectos apoiados pelas entidades locais.
Não esqueçamos o papel importante que teve a Renascença, com Luís Aresta e todos os profissionais, alguns deles ainda hoje em funções, que fazem aquela emissão regional, cada vez com menos tempo e maiores dificuldades.
E que dizer de um jornal de duração efémera chamado Notícias Alentejo – que nada parece ter a ver com o actual jornal on-line – que teve como director Luís Maneta, hoje mergulhado na assessoria política?
Já agora, saber porque desapareceu um dos mais interessantes projectos jornalísticos dos últimos anos intitulado Imenso Sul. Era bom saber junto daqueles que foram responsáveis pelo jornal e revista – Carlos Júlio, Dores Correia, Paulo Nobre – as razões que levaram à falência do projecto.
Resistem hoje, com alguma visibilidade A Defesa, órgão da Diocese de Évora e o Diário do Sul.
Pode também perguntar-se aos responsáveis do PCP que dominaram a autarquia eborense durante tantos anos, quantos milhares de contos enterraram no Diário do Sul. Quando hoje se queixam que lá não podem entrar por via de critérios duvidosos, não têm qualquer razão. A mesma pergunta pode ser feita ao actual executivo, que continua a investir com acuidade milhares de contos mensais em publicidade. Se bem que as coisas parece não estarem a correr muito bem de momento, com supostas baixas no orçamento da Câmara e alguns atrasos de pagamento.
A verdade é que o único órgão de comunicação social que poderia ter alguma dignidade na cidade – até pelo volume de simpatia e dinheiro que sempre recebeu das entidades públicas – é o Diário do Sul. Infelizmente, dignidade é coisa claramente em défice neste jornal.
Continua a ser um mero repositório de comunicados, bem seleccionados de modo a não ferir susceptibilidades e a não chatear quem mais dinheiro investe em publicidade. Um ou dois jornalistas mal aproveitados, uma série de colaboradores opiniosos – alguns muito bons, por sinal – e um séquito de opinadores que hoje em dia apenas veêm rosas onde antes viam espinhos (um deles é o responsável pelo nosso mui amigo Évora Sim). Enfim, uma pobreza franciscana, que dita a tal falta de liberdade de opinião que Sufragista Bloguista se queixa.
E julgam que Abílio teria gostado, ou que Ernesto haveria de gostar que todas as semanas um jornalista os fosse questionar sobre as suas incumpridas promessas? Hoje ninguém pergunta nada. Que alívio, pensarão eles.
Se estiverem interessados em saber o que penso, digo-vos que a cidade – os seus cidadãos (a pomposamente denominada sociedade civil), as suas figuras de relevo, as entidades públicas e privadas – nada fizeram, nunca se esforçaram, sempre mostraram um alheamento profundo, olharam de soslaio e, sobretudo, sempre tiveram a ideia de que tendo uma comunicação social forte em Évora isso, mais tarde ou mais cedo jogaria contra eles. Por isso considero que Évora tem o Diário do Sul e mais nenhum. E o panorama não vai mudar nos próximos anos.
É pouco não é? Mas é o que a cidade merece.


A OPINIÃO DE UM LEITOR SOBRE A QUESTÃO DO ANONIMATO

Do leitor Sufragista Bloguista:

"Não sou, por princípio, defensora do anonimato, capa sob a qual se escondem, tantas vezes, infelizmente, más intenções e cobardia.
Não é este o caso, e regras, todo o mundo o sabe, fizeram-se também para serem quebradas - donde resulta a tão comummente aceite excepção.
Vem isto a propósito da questão do anonimato no ÉVORABLOG. Correcto? Incorrecto? É a tal excepção que quebra a regra.
Importa sobretudo que nos debrucemos sobre a razão que origina a excepção, a causa original, pois o resto, não vale o debate que sobre a questão tem sido dirimido. Vamos ás causas do anonimato do Giraldo e do Sertório.
Vivemos nós numa cidade livre? É evidente que não!
Os jornais locais publicam tudo o que há para publicar? Claro que não! O universo virtual surge assim como a única alternativa a uma verdadeira liberdade de expressão, infelizmente, como no tempo de Salazar, obrigada a esconder-se na clandestinidade. Esta é a verdade.
Alguém acusou os antifascistas de antes do 25 Abril de se remeterem ao anonimato? Claro que não. Julgo que é mais importante esta questão que saber quem são o Giraldo ou o Sertório. Sejam quem forem, vieram no momento certo. O que não está certo é que os eborenses não possam livremente expressar-se nos meios de comunicação social, jornais ou rádios e, mais grave, que o façam correndo o risco de represálias de vária índole (sub-reptícias, mas de efeito demolidor para famílias, empregos, carreiras, etc.)
É isto, ou sobre isto que deveremos centrar o debate. Quem até há perto de dois anos atrás tentasse ou conseguisse incomodar Abílio e seus rapazes estava lixado. Agora, minhas meninas e meus meninos, ainda é, infelizmente, e ao contrário do que muito boa gente pensa, pior.
O democrático e transparente partido que tomou a gestão da autarquia é, tomem nota, mais estalinista, elitista, fechado e oportunista, ou sectário, que o partido que o antecedeu.
Com um aparelho partidário local que está concentrado nas mãos de meia dúzia de personalidades, que elegem quem querem e mandam para os lugares que lhes permitam perpetuar-se no poder, ai de quem lhes caia em desagrado.
Quem não viu ainda esta situação ?
Porque não experimentam perguntar ao ex-deputado socialista, Dr. Domingos Cordeiro que infelicidade lhe caiu em cima por ter, no seu partido, democraticamente ganho umas eleições que ditaram o seu azar ? E há mais casos (perdoem-me se os não cito, é somente por pudor).
Amigas e amigos bloguistas, debatam estas e outras idênticas situações, debatam a liberdade de escolha e de expressão na nossa terra, não percam tempo com situações de lana caprina, ou a discutir o sexo dos anjos. Aqui fica um tema de debate lançado. Aguardo a participação de todas e todos, até daqueles que tanto tempo têm perdido com a questão do anonimato. Por uma vez, ou outra vez na vida, aceitem a excepção. Não tivesse sido ela, a excepção, nem o 25 Abril tinha ocorrido, nem provavelmente a NET era permitida. Valeu?
Quem não concorda, não participe, quem não concordar que não leia, não visite, não conteste, não perca tempo nem leve outras, ou outros, a perdê-lo.
São as regras do blog, deste blog (...)


Já dissemos o que tínhamos a dizer sobre o assunto. Não temos qualquer problema com a utilização de heterónimos, nicknames, pseudónimos, duplos, etc. Julgamos que perder tempo a falar disso, como parece ser o caso de um outro blogger eborense, é dar excessiva importância à forma, em detrimento do conteúdo. Não estamos aqui para enganar ninguém. As opiniões do Sertório e do Giraldo são as opiniões de duas pessoas de carne e osso. Que nasceram e vivem em Évora.

As razões porque adoptámos estes heterónimos são diversas. E conhecidas: por graça; por uma questão de estilo; porque entendemos que são as ideias e não os rostos que contam; porque recusamos utilizar este espaço para passearmos a nossa vaidade; porque queremos impedir uma hipotética politização do debate em torno da cidade; por razões profissionais; por cobardia ou simplesmente porque sim. Razões, aliás, comuns a todos os que, ao longo dos tempos - na literatura, no jornalismo, nas artes - fizeram uso do pseudónimo ou do heterónimo.

Quanto ao texto do nosso leitor, julgamos que há uma ponta de exagero em certas afirmações. Vivemos em liberdade e Évora é uma cidade livre. Não julgo que tenhamos regredido o que quer que fosse. O problema é, no entanto, outro - transversal e ancestral: Évora continua a milhas de ser uma cidade aberta ao debate e à livre expressão de ideias. De cada vez que alguém levanta a voz ou aponta o dedo para criticar, há, num certo 'milieu', um acesso de nervosismo, o qual descamba, invariavelmente, numa marca e num rótulo. Tudo apontado num caderninho, para que as pessoas fiquem bem arrumadinhas em prateleiras. É com tristeza que passámos, com uma facilidade estonteante, do "se critica é porque é socialista, maldizente ou estúpido" para o "se critica é porque é comunista, ressabiado do poder ou ignorante". Mais redutor não há.

Nesse sentido, a sociedade eborense, lamentamos dizê-lo, é ainda um pouco mesquinha e provinciana. O poder de encaixe, o fair play, o sentido de humor e a descontracção não marcam presença. Há gente que continua a levar-se muito a sério. Gente que não tem um pingo de humildade e de sentido das proporções. Não é de admirar que essa gente gaste a sua energia a discutir o que não interessa, esquecendo o seu trabalho. Ou, então, que prendam o «burrinho».


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